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O aumento meteórico do uso de variados instrumentos tecnológicos que usam ecrãs e que são utilizados como base no trabalho, informação, comunicação, socialização, educação / aprendizagem ou diversão fez disparar queixas, sintomas e sinais do foro visual e oftalmológico facilmente relacionáveis no todo ou em parte com o uso excessivo destes aparelhos.

As principais queixas dos seus utilizadores assíduos são as seguintes:

1) Cansaço visual prematuro (vontade de fechar os olhos) – é talvez o mais precoce e quase constante após algum tempo de permanência frente a um ecrã (1 a 2 horas).

2) Sensação de olhos secos, sensação de corpo estranho e dores oculares – são em muitos casos as queixas seguintes, havendo variações de intensidade e predominância de umas ou outras de carácter individual.

3) Cefaleias frontais ou temporais – as dores de cabeça aparecem, regra geral, um pouco mais tarde, ao longo do esforço visual.

4) Dificuldade em manter a visão nítida – muito incómoda e incapacitante, aparece, por vezes, simultaneamente com as anteriores.

5) Dificuldade de concentração – mais tarde ou mais cedo surge este problema, que impossibilita a continuação da atividade.

6) Olhos vermelhos – cedo ou tarde os olhos notar-se-ão vermelhos e húmidos podendo haver lacrimejo exagerado.

7) Dores cervicais, dorsais, lombares e nos ombros – estas queixas dolorosas poderão estar relacionadas com os vícios posturais que se assumem neste tipo de atividade.

Para tentar entender a causa de todas estas queixas, é fundamental realçar que frente a um ecrã, estamos a olhar para uma fonte luminosa, muitas vezes agressiva tanto pela luz que emite como pelo excessivo contraste cromático que é tão frequente, até para estimular a atenção do utilizador.

É também relevante sabermos que a distância a que nos colocamos dos ecrãs, computador, tablet, smartphone é relativamente pequena (sempre inferior a 60 cm), o que obriga ao esforço do nosso mecanismo de acomodação / convergência, que é muito mais exigente que a visão a distâncias maiores. Assim como as posições que usamos são também relevantes para entendermos as queixas que temos. No entanto, temos que ter em consideração que as atividades em causa exigem muita atenção e portanto deficiente pestanejo (reação psicológica natural) e consequente diminuição da lubrificação dos olhos, provocando “secura ocular” rápida com sensação de “olho seco”, sensação de corpo estranho, dores oculares e baixa da acuidade visual.

É igualmente importante realçar o tamanho dos ecrãs que utilizamos. Nos últimos 40 anos as televisões aumentaram o tamanho dos seus ecrãs 2 a 3 vezes, facilitando a visão e diminuindo o esforço. Por outro lado, nos últimos 25 anos o tamanho dos ecrãs dos computadores diminuiu 2 vezes, os tablets são menores e os smartphones, também tantas vezes usados como computadores, são ainda menores. Apesar de ter melhorado a portabilidade, esta diminuição piorou abissalmente a dificuldade do seu uso e obrigada a um esforço visual maior.

Apesar destes “erros” e excessos de uso há algumas formas de minorar ou até anular as queixas sentidas por quase todos os utilizadores de ecrãs:

1) Manter a melhor correcção óptica possível

2) Manter uma distância de visão adequada

3) Regular a luminosidade e o contraste dos ecrãs

4) Melhorar a lubrificação dos olhos

5) Descansar periodicamente

6) Ter atenção à duração máxima de trabalho diário

7) Aumentar o tempo livre destas actividades

8) Manter atitude postural adequada

9) Alterar o futuro das novas gerações

Como oftalmologista, devo destacar as alíneas 1) , 2) , 4) e 8).

Na alínea 1) chamo a atenção para a importância de todas as ametropias (miopia, hipermetropia, astigmatismo, presbiopia), estarem convenientemente corrigidas, sendo fundamental a revisão periódica em consulta da especialidade.
Na alínea 2) destaco que é fundamental mantermos distâncias adequadas aos instrumentos que usamos e às condições em que os usamos.
Na alínea 4) realço que pode ser muito útil o uso de medicamentos (colírios hidratantes) adequados que podem ser prescritos.
Relativamente à alínea 8) , será decerto preferível ouvir as opiniões da Ortopedia e Fisiatria, que decerto ajudarão.
A alínea 9) chama a atenção para as crianças e jovens que cada vez mais usam e abusam (?) no uso de televisões, computadores, tablets e smartphones, mas que decerto seriam mais saudáveis, do ponto de vista visual, pelo menos, se as suas atividades lúdicas fossem mais direcionadas para as sugeridas na composição seguinte.

 

Artigo escrito por Fernando Baptista, médico de Oftalmologia na Cintramédica

 

 

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