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O organismo beneficia de um sistema de defesa que previne que os microrganismos ou impurezas que entrem em contacto com as vias respiratórias superiores (nariz, boca e faringe) transitem para os pulmões.

Este sistema é composto por células imunologicamente competentes e também defesas mecânicas como a humidificação e aquecimento das fossas nasais e a retenção de partículas. Já a faringe tem uma função dupla, pertencendo também ao sistema digestivo, controlando a circulação de alimentos e de ar para que estes sejam direcionados para o local correto.

A pneumonia de aspiração pode ocorrer se este sistema de defesa estiver comprometido e caracteriza-se pela inflamação/infeção que ocorre nos pulmões devido à entrada de substâncias sólidas ou líquidas para as vias respiratórias inferiores.

Os sintomas podem ser imediatos, de início agudos ou em alguns casos podem não ser evidentes manifestando-se dias ou semanas após o episódio de aspiração. A pneumonia pode assim manifestar-se de forma leve a grave ou crítica, podendo levar a choque sético e insuficiência respiratória.

Os sintomas de Pneumonia por aspiração podem incluir:

  • Tosse com ou sem expetoração sanguinolenta ou espumosa
  • Hipersalivação
  • Gorgolejo ao falar ou rouquidão
  • Cianose (pele e lábios de coloração azulada/arroxeada)
  • Febre
  • Hipotensão
  • Taquicardia

A dificuldade de deglutição inicial refere-se à disfagia orofaríngea e representa um fator de risco para a ocorrência de aspiração e consequente pneumonia. Deve por isso estar atento à presença de sintomas como engasgo, tosse ou comprometimento do reflexo da tosse, voz anasalada, halitose – hálito com odor forte e regurgitação nasal. A deglutição pode estar comprometida por diversos fatores predisponentes, como:

  • Idade mais avançada
  • Alteração da consciência (por exemplo: por alcoolismo, overdose, trauma crânio-encefálico, Anestesia geral)
  • Doenças Neurológicas (por exemplo: demência, doença de Parkinson, doenças neuro-musculares)
  • Condições Mecânicas (por exemplo: entubação endotraqueal, presença de sonda nasogástrica, traqueostomia, infeções com presença de abcessos)
  • Desnutrição

O envolvimento de uma equipa multidisciplinar é fulcral para a avaliação da disfagia (médico, enfermeiro, fisioterapeuta, nutricionista e terapeuta da fala). A avaliação da capacidade de deglutição, quer por exames de diagnóstico quer por exame físico através de testes específicos, permite indicar as estratégias de prevenção de complicações, tratamento e reabilitação mais adequadas, como por exemplo:

  • Reajuste do plano alimentar
  • Alteração da consistência dos alimentos
  • Suporte nutricional alternativo: alimentação por sonda nasogástrica
  • Posicionamento correcto nas horas de refeição
  • Reeducação do acto de engolir
  • Medidas farmacológicas
  • Cirurgia

Na presença dos fatores de risco predisponentes de disfagia, é essencial que seja realizada uma avaliação clínica do processo de deglutição, para então diagnosticar o problema precocemente e também estabelecer um plano de prevenção de possíveis complicações como é o caso da pneumonia por aspiração.

Refrências bibliográficas:

  • Organização Mundial de Gastrenterologia, 2014 – Dysphagia Global Guidelines & Cascades, Website:http://www.worldgastroenterology.org/UserFiles/file/guidelines/dysphagia-english-2014.pdf
  • Sociedade Portuguesa de Pneumologia. Patologias Respiratórias, Pneumonia. Website: http://www.sppneumologia.pt/patologias-respiratorias
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