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A perda de audição ocorre quando temos alguma ou total incapacidade em ouvir, ou ouvimos mas não percebemos o que nos dizem, sendo que as causas mais comuns estão relacionadas com o envelhecimento das células do ouvido interno. Esta patologia atinge cerca de 17% da população adulta mundial, seja relacionada com uma idade mais avançada, seja um acontecimento precoce.

Um dos principais fatores de risco para um envelhecimento precoce é a exposição constante ao som de alta intensidade, como ruído industrial/laboral ou recreativo em concertos, discoteca ou o uso de auscultadores a uma intensidade não controlada.

Apesar da perda de audição ser uma situação muito frequente, é mais fácil detetá-la nos outros do que em nós próprios.

É importante saber reconhecer os sinais de alarme para que o problema possa ser diagnosticado e tratado precocemente.

 

Quais os sinais de alerta?

  • Dificuldade em ouvir o que é dito ao telefone;
  • Esforço acrescido para perceber uma conversa;
  • Pedir frequentemente para as pessoas repetirem o que estão a dizer ou para falarem mais alto e de forma mais clara;
  • Os familiares queixarem-se que o som da televisão, aparelhagem ou o toque de telemóvel está sempre muito alto;
  • Achar que os sons estão “abafados”, “ao fundo do túnel” ou “debaixo de água”;
  • Ouvir o eco da própria voz na cabeça;
  • Não ouvir a campainha da porta;
  • Dificuldades de concentração em conversas com mais de um interlocutor ou em locais públicos em que exista barulho de fundo.

 

Quando se deve consultar um especialista?

É importante estar atento aos sinais de alarme e consultar um otorrinolaringologista se sente que a perda de audição está a interferir nas atividades diárias, deixando de participar em conversas e começando a evitar eventos sociais por ter dificuldade em perceber o que as pessoas dizem.

A perda repentina de audição (que é, muitas vezes, acompanhada de tonturas ou de zumbido no ouvido) pode instalar-se no decorrer de algumas horas ou dias e é motivo para consultar um otorrinolaringologista de imediato. Podem ser várias as causas e é fundamental que seja tratado precocemente, uma vez que, a possibilidade de recuperar a audição depende muito da rapidez com que se inicia o tratamento.

 

Diagnóstico e tratamentos

O otorrinolaringologista pode diagnosticar o problema através de exames complementares, como a audiometria, a impedância acústica, potenciais evocados, entre outros, que serão pedidos de acordo com a situação clínica.

O tratamento pode passar por procedimentos mais comuns como a remoção de cera, por diversos procedimentos cirúrgicos ou pela adaptação de um aparelho (prótese auditiva).

A abordagem escolhida depende do tipo de perda de audição encontrado e se esta apresenta um carácter reversível ou irreversível.

 

Prevenção da doença auditiva

O rastreio é a principal forma de prevenção e não deve ser descurado em nenhuma das etapas da vida. É a primeira ferramenta de diagnóstico, uma vez que permite perceber se existe ou não perda de audição.

Segue-se a avaliação audiológica detalhada e que passa genericamente pela realização de uma audiometria para avaliar com precisão o grau e o tipo de perda de audição. Muitas vezes também é solicitada a avaliação da função do ouvido médio através de exames de diagnóstico, como por exemplo o timpanograma e os reflexos estapédicos.

Quando realizar o rastreio?

  • O rastreio auditivo neonatal universal (RANU) deve ser feito nos primeiros dias após o nascimento;
  • O rastreio pré-escolar, entre os 4 e os 6 anos, para despistar perdas condutivas por otite do ouvido médio, que é muito frequente nesta faixa etária e que poderá necessitar de intervenção médico-cirúrgica. A surdez pode comprometer a aprendizagem e audição futura das crianças se não for detetada precocemente;
  • O rastreio auditivo em adultos com mais de 55 anos, uma vez que a probabilidade de ter problemas auditivos aumenta significativamente a partir desta idade.

 

Reabilitação Auditiva

O principal objetivo da reabilitação auditiva é melhorar a qualidade de vida para que a audição permita a comunicação com os outros de modo inato, bem como à audição dos ruídos do meio ambiente.

É um processo multidisciplinar que envolve o médico otorrino e o audiologista, e para que sejam bem-sucedidos, não basta apenas ter a melhor tecnologia, é também importante efetuar o melhor diagnóstico e intervenção técnica.

Objetivos da reabilitação

Da mesma forma que a diminuição da visão pode ser corrigida com a utilização de óculos, as próteses auditivas têm como objetivo:

  • Atenuar as dificuldades inerentes à perda auditiva e minimizar as suas consequências, pelo que não se deve ter em conta apenas a pessoa a reabilitar, mas também vários fatores como a sua idade, sexo, profissão, estatuto socioeconómico e o meio em que está inserida.
  • Trata-se de uma ajuda técnica, isto é, com um objeto que auxilia a audição.

No processo de reabilitação auditiva devem ser potenciados os resíduos auditivos. A adaptação da prótese auditiva, quando recomendada, requer o conhecimento das vantagens e limitações da mesma. Pretende-se rentabilizar ao máximo as capacidades técnicas desta e saber tirar delas o melhor partido possível, tanto por parte da pessoa com deficiência auditiva como por parte do profissional responsável pelo processo de reabilitação/habilitação auditiva.

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