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A maternidade na pandemia é um desafio acrescido às mães que se encontram em casa com os seus bebés. Neste contexto, é fundamental traçar estratégias preventivas que permitam adereçar fatores de risco da depressão pós-parto, no sentido de promover a saúde mental de todas as mulheres no período perinatal.

 

Pandemia como fator de risco?

A maternidade é um período de grande felicidade, mas também de inúmeros desafios para a mulher e para a família. Deste modo, a depressão pós-parto e a ansiedade perinatal são condições que afetam um número significativo de mulheres durante a gravidez e após o nascimento dos seus bebés, sobretudo num contexto de COVID-19 que, sabe-se já, ter o seu impacto ao nível da saúde mental.

Apesar de não existirem estudos do contexto português, uma investigação[i] realizada na Universidade de Alberta, Canadá, concluiu que a depressão pós-parto praticamente triplicou naquele país com a pandemia. Os números falam por si: 41% face a 15% de casos de depressão pós-parto antes da pandemia e 72% face a 29% de casos de ansiedade perinatal anteriores à crise mundial provocada pela COVID-19. Este estudo realizou-se entre 14 de abril e 8 de maio de 2020, e contemplou 900 mulheres, das quais 58% estavam grávidas durante este período e as restantes tinham dado à luz há menos de um ano.

 

Desafios acrescidos

Se a maternidade é per si exigente num contexto normal, em tempos de pandemia há inúmeras contrariedades que se adivinham. Entre elas destacam-se a impossibilidade do companheiro estar presente nas consultas de rotina ou durante o parto, a ausência de um apoio familiar mais alargado devido ao confinamento, sem esquecer o “fantasma” do contágio que coloca em risco a mãe e o seu bebé.

Nesta altura, é essencial reconhecer um enquadramento de risco para a saúde mental perinatal, como o isolamento, a falta de rotinas e de apoio, sobretudo depois de cumpridos os dias de licença parental após o nascimento da criança. De facto, ficar em casa sozinha com um bebé recém-nascido pode ser um desafio assustador. Nesse sentido, torna-se importante saber reconhecer os sintomas de depressão pós-parto e tomar consciência que a solidão desaparece quando se interrompe o silêncio e se pede ajuda. Mesmo que tenha dúvidas deve pedir sempre ajuda, pois como diz o velho ditado, mais vale prevenir do que remediar.

 

Estratégias para a vivência da maternidade em plena pandemia

Manter a confiança e o foco numa boa planificação do tempo são aspetos fundamentais para tornar cada dia numa vitória. Apesar de todas as atenções estarem direcionadas para o seu bebé, não se esqueça da outra face da moeda para que tudo corra bem: você mesma! Por isso elencamos aqui algumas ações que pode incluir num “manual de sobrevivência” para a maternidade na pandemia.

  • Dormir

    É o maior desafio para as mães que estão sozinhas em casa com um bebé. Mesmo que queiram e precisem de dormir estão em estado permanente de alerta. Uma dica essencial é aproveitar as sestas dos bebés para tentar colmatar as horas mal dormidas. O sono das mães é uma prioridade e deve ser colocado à frente das tarefas do dia a dia. Quanto menos descansarem, mais difícil será tratarem de si e do seu bebé, podendo, inclusive, comprometer a sua saúde mental. Este é o momento para o companheiro brilhar, tomando a seu cargo tarefas como a limpeza ou a confeção. O mais importante é garantir que a mãe está descansada e em forma para cuidar do vosso bebé.

 

  • Comunicar

    O isolamento social dá aso a que surjam dúvidas que possam minar a autoconfiança da mãe nas suas capacidades. Nesse sentido, torna-se fundamental comunicar os sentimentos e partilhar dúvidas e receios. De grande utilidade poderá ser também ouvir as experiências de outras mulheres com quem haja identificação, sejam mães da mesma família ou amigas. Na relação conjugal é também importante comunicar e partilhar decisões e resoluções de problemas com o companheiro. E, mesmo à distância, partilhar com a família o desenvolvimento do bebé e as peripécias passadas em casa. Comunicar é inato ao ser humano e neste contexto serve o grande propósito que é verbalizar os sentimentos negativos, encarando de frente o medo, a ansiedade, tristeza, ou frustração.

 

  • Comer

    A dificuldade em encontrar tempo para cozinhar para si no meio de fraldas, amamentação, biberões, birras e colos pode levá-la a descurar a alimentação. Por isso, a solução pode passar por libertar-se dessa tarefa. Nesse sentido, deixe a cozinha nas mãos (mais ou menos) capazes do seu companheiro, de amigos, de familiares ou até recorrendo pontualmente a soluções como as entregas em casa e ao take away. Se há alguém que merece que lhe aliviem esse fardo é você, e por isso toda a ajuda é bem-vinda!

 

  • Exercitar

    A atividade física é uma das melhores formas da mulher se sentir melhor consigo própria. Por isso, aproveite entanto a criança está a dormir para praticar ioga, pilates ou meditação em casa, dê passeios de carrinho ou, se possível, faça jogging durante o turno do companheiro. O truque é planificar o seu dia de modo a incluir tempo para si mesma e para o exercício na nova rotina da maternidade. E, quem sabe, saber olhar para as oportunidades que a pandemia nos oferece, como convidar a amiga que está de folga ou em teletrabalho a juntar-se ao passeio ou ao jogging.

 

  • Divagar

    O dia a dia das mães, antes e depois do nascimento de bebé, pode ser um pouco monotemático. É natural que o bebé seja o centro das atenções, mas sempre que possível “divague” para outro tema. Nesse sentido permita-se ler um livro, ver uma série ou um filme, distrair-se, no fundo! Mesmo que demore dias a ver um filme, nos intervalos dos cuidados ao bebé, é importante não descurar essa faceta. A ideia é que integre a maternidade na sua identidade, sem se deixar dominar pelo quotidiano.

 

  • Conhecer-se

    Com todas as suas alegrias, a maternidade pode ser uma fase absorvente, sobretudo nas primeiras semanas após o nascimento. É importante, neste período, que a mulher aprenda a (re)conhecer-se neste novo papel. Será fundamental ter um momento de introspeção para reter toda a informação e conhecimento que a maternidade acarreta. É altura de ouvir o corpo e a mente. De saber quando descansar e de refletir sobre determinadas emoções. Será que se sente no limite das suas capacidades? Esperava que seria assim? Com quem pode conversar? Não se ignore e partilhe as suas emoções, seja o companheiro, família ou com um especialista em maternidade. E aprenda a dar-se o devido reconhecimento quando as coisas correm bem E nunca se esqueça: não se isole e, caso seja necessário, peça ajuda!

 

Consulta de Saúde Mental Perinatal

Nenhuma mãe deveria ser uma ilha, e caso precise deve saber que existe alguém com quem falar e que a pode ajudar a traçar uma estratégia que faça sentido para integrar a maternidade na sua vida. A Consulta de Saúde Mental Perinatal, já disponível na Cintramédica Shop, visa ajudar as mulheres a sentirem-se mais preparadas no seu novo papel de mães, sobretudo para as que têm a difícil tarefa de viver a maternidade na pandemia. Além dos desafios inerentes ao papel de mãe, a tensão agravada pela pandemia deve ser contrabalançada com uma planificação de tempo e energia inteligente e adequada a cada mulher.

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Revisão científica pela Enf. Ana Vale, especialista em Saúde Mental Perinatal na Cintramédica

 

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Referências bibliográficas:

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