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A Hipertensão Arterial é a principal causa de doença cardiovascular e de morte prematura. Fique a conhecer mais sobre esta condição que, de acordo com o SNS, e tendo por base dados da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, afeta cerca de 42,6% dos adultos, ou seja, mais de 3 milhões de pessoas em Portugal. 

 

O que é a Hipertensão Arterial

A força com que o sangue circula nas artérias do corpo é conhecida como pressão arterial. Ao contrair, o coração bombeia sangue pelas artérias, veias e vasos capilares, irrigando músculos, tendões, tecidos e órgãos do corpo. Esta contração para bombear o sangue gera uma pressão que se denomina sistólica. Quando o coração relaxa para voltar a encher-se de sangue, provoca uma pressão conhecida como diastólica. Ao medir a sua pressão arterial, o valor mais elevado corresponde à pressão sistólica (“máxima”) e o valor mais baixo corresponde à pressão diastólica (“mínima”).

O aumento da pressão sobre as paredes das artérias, provocado por determinados fatores, dão origem ao que chamamos de Hipertensão Arterial. 

 

Tipos de hipertensão arterial

Existem dois tipos:

– Hipertenção Arterial Primária, a mais frequente (90% a 95% dos casos), para a qual não é conhecida a causa, apesar de se identificarem como fatores de risco o consumo excessivo de sal, a obesidade, o envelhecimento ou o stress, entre outros.

– Hipertenção Arterial Secundária, tipologia associada a uma causa específica, possibilitando assim um tratamento ou cuidados direcionados. Nesse sentido, existem determinadas condições ou situações que a podem provocar, das quais se destacam:

  • Apneia do sono
  • Doença renal
  • Síndrome de Cushing (excesso de cortisol no organismo)
  • Feocromocitoma (tumor raro nas glândulas suprarenais)
  • Hiperaldosteronismo primário (superprodução de aldosterona que provoca retenção de líquidos)
  • Coartação da aorta (má-formação congénita que se caracteriza por um estreitamento da artéria aorta)
  • Doenças da tiroide e paratiroide
  • Contracetivos orais, descongestionantes nasais e fármacos dietéticos
  • Gravidez

 

Valores referência da Pressão Arterial

De acordo com a Sociedade Europeia de Cardiologia e a Sociedade Europeia de Hipertensão, num documento revisto pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia, os valores de referência da pressão arterial são:

Classificações da Pressão Arterial e definições do grau de hipertensão (mmHg):

Categoria Sistólica           Distólica
Óptima <120 e <80
Normal 120-129 e/ou 80-84
Normal Alta 130-139 e/ou 85-89
Hipertensão Grau 1 140-159 e/ou 90-99
Hipertensão Grau 2 160-179 e/ou 100-109
Hipertensão Grau 3 ≥180 e/ou ≥110
Hipertensão Sistólica Isolada ≥140 e <90

Fonte: Hipertensão – Recomendações da ESC/ESH para o tratamento da Hipertensão Arterial – 2018

 

O que provoca a Hipertensão Arterial

A hipertensão arterial afeta mais os homens (cerca de 40%) e a faixa etária a partir dos 65 anos (mais de 70%). Porém, a partir dos 55 anos, mais de metade dos adultos sofre de hipertensão. 

Por outro lado, além das condições e patologias que podem provocar hipertensão arterial, destacam-se também como fatores de risco determinadas condicionantes como:

Stress
• Excesso de Peso (Obesidade)
• Consumo exagerado de sal, açúcar ou álcool
• Tabagismo
• Sedentarismo
• Colesterol elevado

 

Sintomas silenciosos (até que deixam de o ser…)

Na maioria dos casos, a hipertensão é uma doença silenciosa. Porém, com o passar dos anos, pode danificar vasos sanguíneos e órgãos como o cérebro, rins e o coração. Nessa fase podem surgir sintomas como:

  • Dores de cabeça
  • Tonturas
  • Zumbidos
  • Aumento dos batimentos cardíacos
  • Dor no peito
  • Falta de ar

 

Principais consequências

Uma das formas mais graves de hipertensão é a crise hipertensiva, que resulta de um aumento rápido da pressão arterial e possíveis lesões que possa causar a órgãos como o coração, rins ou cérebro. Tal pode constituir uma emergência e ameaçar a vida.
Além disso, e a longo prazo, a hipertensão arterial representa por sua vez também um dos principais fatores de risco de inúmeras condições, algumas das quais constituem as principais causas de morte prematura. Entre elas destacam-se:

• Acidente Vascular Cerebral (AVC)
• Enfarte do miocárdio
• Insuficiência cardíaca
• Insuficiência renal
• Perda gradual da visão
• Disfunção eréctil
• Doença arterial periférica (diminuição do fluxo sanguíneo do tronco, braços e pernas)

 

Diagnóstico e tratamento

Apesar de, como já foi referido, ser uma doença silenciosa, a hipertensão pode ser detetada numa medição da pressão arterial (conhecida também como tensão arterial). 

No entanto, é importante reter que uma medição isolada de valores elevados não equivale a um diagnóstico de hipertensão. Aliás, há fatores circunstanciais que podem provocar valores acima do normal. Por isso, antes de cada medição, deve evitar fumar ou beber café, assim como deve sentar-se durante 5 minutos para permitir que a sua pressão arterial estabilize. 

Por outro lado, e desde 2018, a Sociedade Europeia de Cardiologia e a Sociedade Europeia de Hipertensão alteraram as recomendações no que diz respeito ao exames de diagnóstico da hipertensão, alargando as medições repetidas da pressão arterial no consultório para medições em ambulatório, através de exames como o MAPA. Este exame é realizado através de um aparelho que mede a pressão arterial ao longo do dia (24 horas), precavendo situações como a hipertensão de “bata branca” (que ocorre quando se registam valores elevados de pressão arterial derivados da ansiedade de se ir ao consultório).

Quanto ao tratamento, o primeiro passo e em situações menos graves, é a adoção de comportamentos saudáveis. Dependendo da gravidade, o seu médico poderá prescrever-lhe também determinados medicamentos (ou uma combinação) para controlar a hipertensão. Destaca-se que, dos mais de 3 milhões de portugueses com hipertensão, menos de metade está medicada e apenas 11,2% tem a sua condição controlada.

 

É possível prevenir?

Numa palavra, sim!

O primeiro passo é adotar comportamentos saudáveis, a começar pelas crianças. Nos últimos anos, tem-se observado um aumento do excesso de peso e obesidade nestas faixas etárias, calculando-se que entre 2,2% e 13% de crianças e adolescentes entre os 4 e os 18 anos sejam hipertensas. 

Nesse sentido, e tendo em mente a população em geral, as melhores formas de prevenir a hipertensão arterial são:

• Deixar de fumar
• Ter uma alimentação saudável (controlando a ingestão de sal, sódio e açúcar)
• Fazer exercício físico de modo regular
• Evitar o consumo excessivo de álcool
• Manter um peso saudável

 

Cardiologia na Cintramédica

Sendo a hipertensão um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, a especialidade mais indicada para o seu controlo e tratamento é a Cardiologia.
Na Cintramédica, esta é uma Unidade com Qualidade Certificada, que conta com consultas em 5 clínicas e também por Videoconsulta, apoiadas pelos principais exames de diagnóstico cardiovascular.

Não adie a sua saúde. Marque a sua consulta de Cardiologia.

 

Referências Bibliográficas:
https://www.sns24.gov.pt/tema/doencas-do-coracao/hipertensao-arterial/

https://spc.pt/wp-content/uploads/2019/10/Pocket-guidelines-Hipertens%C3%A3o.pdf

http://repositorio.insa.pt/bitstream/10400.18/4760/1/Boletim_Epidemiologico_Observacoes_NEspecia8-2017_artigo2.pdf

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